Grand Tour

Por Marcelo Albuquerque

Viagens à Itália, em especial para estudar a Antiguidade, sempre pautaram roteiros de artistas, arquitetos e estudiosos. O Grand Tour era um tipo de viagem tradicional que percorria a Europa central, com destino final na Itália, realizada em geral por jovens europeus e americanos das classes mais abastadas ou que eram apadrinhados com bolsas de estudo, com o objetivo de complementar a educação erudita, especialmente nas artes, arquitetura, culturas regionais, línguas estrangeiras e política. As viagens tornam-se populares em meados do século XVII, continuando até o surgimento de um itinerário fixo decorrente do transporte ferroviário em larga escala, em meados do século XIX. Esse período é considerado como o início da ideia de turismo de massas, principalmente após as viagens ferroviárias. Esses viajantes compravam e encomendavam pinturas das ruínas e dos locais visitados, fomentando o gosto historicista dos séculos XVIII e XIX, como vemos nas obras de Piranesi ou Panini e nos antiquários locais.

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Viagem à Itália, de Goethe. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Os pontos máximos e sofisticados do Grand Tour abordavam o legado cultural e erudito da Antiguidade Clássica greco-romana, medieval e renascentista, oferecendo a oportunidade única e rara de ver obras de arte emblemáticas e peças musicais inéditas. Os roteiros eram semelhantes aos percursos habituais de peregrinações religiosas católicas e protestantes, porém sem o caráter religioso. Desde os tempos de Albrecht Dürer ao barroco, essas viagens eram consideradas essenciais para os jovens artistas e para suas formações acadêmicas na pintura, escultura e arquitetura. Outro fator importante para o interesse no Grand Tour foram os impulsos neoclássicos com as primeiras escavações arqueológicas das cidades romanas de Herculano e Pompeia, a partir de 1738. Entre as obras de grande prestígio, decorrente dessas viagens, está Viagem à Itália, de Goethe. O pensador alemão, em sua passagem pelo vêneto, demonstra sua admiração pela obra de Palladio:

(…) De todos os lados, porém, a Rotonda apresenta uma visão magnífica. Sua massa central, em conjunto com as colunas à frente, movimenta-se com grande diversidade aos olhos dos que passeiam pela redondeza, e o proprietário, desejoso de legar um grande fideicomisso e, ao mesmo tempo, oferecer aos sentidos um monumento a lembrar-lhe a riqueza, decerto teve ali sua intenção realizada. E assim como, vista de qualquer ponto da região, a edificação apresenta-se magnífica, também a visão que se descortina a partir de seu interior é das mais agradáveis (GOETHE. Viagem à Itália. 1786-1788, p. 65).

O célebre historiador Edward Gibbon também teceu elogios ao Grand Tour como forma de obtenção de conhecimentos essenciais para os historiadores e eruditos em geral.

Viagem à Itália – Sugestão de roteiro – 12 dias

Por Marcelo Albuquerque

Roma

DIA 01: COLISEU – FÓRUM – PALATINO

Coliseu (comprar Romapass ao chegar em Roma). Arco de Constantino. Fórum Romano: Antiquarium Forense: museu do fórum. Junto ao Templo de Vênus e Roma. Arco de Tito. Via Sacra. Basílica de Constantino. Templo de Antonino e Faustina. Arco de Sétimo Severo. Templo de Saturno. Casa das Virgens Vestais. Templo de Vesta. Cúria. Palatino: Domus Flavia. Domus Augustana. Casa de Lívia. Stadium. Templo de Cibele. Cabanas de Rômulo. Museu do Palatino, Jardins Farnese. Fórum de Trajano: Fórum de Cesar, Augusto e Nerva. Fórum e Mercado de Trajano. Coluna de Trajano. Torre dele Milizie. Casa dos Cavaleiros de Rodes.

DIA 02: CAMPIDOGLIO – FÓRUM BOÁRIO – TRASTEVERE

Piazza Venezia. Monumento Vittorio Emanuelle II: subida ao mirante. Insula. Scalinata dell’Aracoele. Santa Maria in Aracoele: antigo templo de Juno. Museus capitolinos. Palazzo Nuovo, Palazzo dei Conservatori e Tabularium. Caminhada pelas bases do Capitolino e Palatino. Teatro de Marcelo – Templo de Apolo – Pórtico de Otavia. Nossa Senhora da Consolação – via de San Teodoro. Santa Anastasia al Palatino. Circo Massimo. Santa Maria in Cosmedin. Fórum Boário: templos de Portuno e Hercules. Boca da Verdade. Arco de Jano. São Jorge Velabro. Vista do Tibre para a Ponte Rotto e Ponte Palatino. FIM DE TARDE: Trastevere: bares e restaurantes. Santa Maria in Trastevere.

DIA 03: PIAZZA NAVONA – PANTEÃO – FONTANA DE TREVI

Il Gesu: ícone de igreja jesuíta e barroca. Largo da Torre Argentina. Sant Andrea della Vale. Piazza Navona. Fonte dos Quatro Rios – Bernini. St Agnese – Borromini. San Luigi dei Francesi – Caravaggios. Palazzo Madama – fachada – Senado italiano. Santo Ivo alla Sapienza – Torre em espiral – Borromini. Panteão. Piazza della Minerva – Elefante de Bernini – Santa Maria sopra Minerva. Caminhada pela via dei Pastini – Templo de Adriano. Coluna de Marco Aurélio. Fontana de Trevi.

DIA 04: VATICANO

Museus Vaticanos (maior parte do dia – comprar os ingressos com antecedência pela internet). Piso inferior: Museu Egípcio. Museu Pio-Clementino. Museu Pio-Cristão. Capela Sistina. Biblioteca do Vaticano. Bracio Nuovo. Museu Chiaramonti. Sala da Cruz Grega. Sala Redonda. Pinacoteca. Museu Gregoriano Profano. Piso superior: Salas de Rafael – Academia de Atenas. Museu Etrusco. Galeria das Tapeçarias. TARDE: Basílica de São Pedro. Scavi: subsolo da basílica de São Pedro (reservar antes). Subida até a cúpula de Michelangelo. Fim da tarde: passeio no entorno do Castelo de Santo Ângelo (se puder entrar melhor).

DIA 05: QUIRINAL – PIAZZA DI SPAGNA: DESTAQUE PARA A ARTE E ARQUITETURA BARROCA

Galeria Borghesi. Termas de Diocleciano. Basílica de Santa Maria degli Angeli (Michelangelo). Museu Nacional Romano. Santa Maria dela Vitoria – Êxtase – Bernini – Fontana di Mosé. Via alle Quattro Fontane – Palazzo. Viminale. San Carlo alle Quattro Fontane – Borromini. Piazza dei Spagna. Trinita dei Monti – Panorâmica de Roma. Piazza del Popolo. Santa Maria in Montesanto e dei Miracoli. Santa Maria del Popolo – Caravaggios. Porta del Popolo.

DIA 06: AVENTINO – TERMAS DE CARACALA – VIA APPIA – CATACUMBAS DE CALISTO (PASSEIO DE VAN)

Basílica de Santa Sabina. Parque de Santo Alessio: vista de Roma. Termas de Caracala. Via Appia. Igreja Quo Vadis. Catacumbas de Calixto. Parque dos Aquedutos.

Siena

DIA 07: SIENA

Catedral. Biblioteca Piccolomini. Museu do Domo. Batistério San Giovanni. Piazza del Campo. Palazzo Publico. Basílica de San Domenico. Tarde livre.

DIA 08: SIENA – MONTERIGGIONE – SAN GIMIGNANO – FLORENÇA

Florença

DIA 09: SANTA MARIA DEL FIORE – PIAZZA DELLA SIGNORIA – PONTE VECCHIO – PIAZZALE MICHELANGELO

Santa Maria del Fiore. Domo de Brunelleschi. Piazza della Signoria. Palazzo Vecchio: museu e torre. Corredor Vasari. Ponte Vecchio. Palazzo Piti – fachada (se tiver tempo, entrar nos jardins de Boboli). Piazzale Michelangelo: pôr-do-sol.

DIA 10: GALLERIA DEGLI UFFIZI – SAN LORENZO (CAPELA MEDICI)

Galleria degli Uffizi. San Lorenzo. Capela Medici. Palazzo Medici-Ricardi.  Santa Maria Novela. Palazzo Rucellai – fachada. Santa Croce. Capela Pazzi – Brunelleschi. Tarde Livre. Galleria dela Academia (Davi de Michelângelo) – opcional.

DIA 11: FLORENÇA – PISA – LUCCA

Veneza

DIA 11: PIAZZA DE SAN MARCO – PONTE DO RIALTO

Vaporetto passando pelo Grande Canal completo e Praça de São Marcos. Basílica de São Marcos. Ponte dos Suspiros. Piazza San Giovanni e Paolo. Estátua equestre de Verocchio. Santa Maria dei Miracoli. Ca D’Oro. Caminhada até a Ponte do Rialto.

DIA 12: DORSODURO

Basílica Santa Maria dela Salute. Collezione Peggy Guggenheim. Academia de Belas Artes. Grande Canal. Tarde livre.

DIA 13: RETORNO

As ordens e os conceitos gerais da linguagem clássica

Por Marcelo Albuquerque

“Não me cansei de admirar-lhe a fachada, a maneira genial e coerente com que o artista a tratou. A ordem é coríntia, e o intercolúnio, pouco superior a dois módulos. As bases das colunas e os plintos sob elas parecem erguer-se sobre pedestais, mais isso é apenas aparência, pois o estilóbata é atravessado por cinco degraus, que, por entre as colunas, sobem rumo à superfície sobre a qual estas verdadeiramente se assentam e de onde se tem, de fato, acesso ao interior do templo. A ousadia de se recortar o estilóbata revelou-se aqui a solução correta; considerando-se que o templo situa-se na encosta da montanha, a escada que sobe até ele teria, do contrário, que principiar muito antes, o que teria estreitado a praça. Impossível determinar quantos degraus havia originalmente à exceção de uns poucos, eles estão todos enterrados e cobertos pelo pavimento (GOETHE, Viagem à Itália, p. 138).”

Na citação acima, do belíssimo livro de Goethe, Viagem à Itália, o pensador alemão se refere à igreja de Santa Maria sobre Minerva, em Assis. Ele descreve com emoção seu encontro com o edifício apresentando alguns elementos importantes que precisamos compreender para analisarmos as obras clássicas da arquitetura.

Segundo Summerson[1], um edifício clássico é aquele cujos elementos decorativos derivam direta ou indiretamente do vocabulário arquitetônico do mundo clássico, e que o objetivo dessa arquitetura sempre foi alcançar uma harmonia inteligível entre as partes. Essa harmonia inteligível possui variações dominantes denominadas “ordens”. Da mesma forma que a música, a harmonia é alcançada pela proporção de todas as partes de um edifício, cujas funções aritméticas estejam relacionadas entre si. Para o renascentista, a harmonia era alcançada pelo uso de uma ou mais ordens como componentes dominantes. Muitos arquitetos modernos, recorda Summerson, como Auguste Perret, um dos grandes introdutores do concreto armado aparente na arquitetura, são clássicos, pois concebem de acordo com o espirito clássico com materiais contemporâneos[2]. Uma ordem consiste na unidade “coluna-superestrutura” de um templo clássico, centrada nas colunas, entablamentos e cornijas. As ordens se constituem basicamente de um sistema arquitravado (pilar e viga). Um dos maiores legados arquitetônicos dos romanos foi combinar as ordens com os arcos. Segundo Summerson:

As ordens passaram a ser consideradas a pedra de toque da arquitetura, os instrumentos de maior sutileza possível, corporificando toda a sabedoria acumulada pela humanidade na Antiguidade no que diz respeito à arte de construir – quase que produtos da própria natureza (SUMMERSON, 2009, p. 8).

Igreja de Santa Maria sobre Minerva (Assis). Fonte: Wikipedia (domínio público).

A mais antiga descrição de uma ordem encontra-se em Vitrúvio. Vitrúvio, segundo M. Justino Maciel e Renato Brolezzi[3], tornou-se interlocutor obrigatório da tratadística arquitetônica, tanto para arquitetos quanto para pintores, escultores e músicos. Seu tratado foi o único da Antiguidade que sobreviveu, tornando-se a autoridade maior no assunto. Dos gregos não chegou nada até nós, cabendo a Vitrúvio a transmissão dos conhecimentos e práticas dos helênicos, por escrito, a partir do mundo romano. Sua obra influenciou personalidades e tratados renascentistas, maneiristas e barrocos, assim como os neoclássicos dos séculos XVIII e XIX. Alberti acrescentou a quinta ordem, a compósita, às quatro ordens descritas por Vitrúvio (dórica, jônica, coríntia e toscana). Os tratadistas italianos mais importantes foram Sebastiano Serlio (1537), Vignola (1662), Andrea Palladio (1570) e Scamozzi (1615), que contribuíram para a autoridade simbólica e canônica das cinco ordens clássicas. De acordo com Summerson, o grande feito da Renascença não foi a imitação estrita dos edifícios antigos, como seria feito no período neoclássico, mas sim o restabelecimento da gramática da Antiguidade como disciplina universal[4]. No Renascimento do século XV, Leon Battista Alberti descreveu as ordens, a partir de Vitrúvio, com base nas suas próprias observações das ruínas.

Vitrúvio foi um engenheiro militar que participou das campanhas de César, e após seu tempo de serviço, ofereceu o tratado de arquitetura para o primeiro imperador, Augusto, por volta de 35 a 20 a.C. Constitui-se no primeiro tratado conhecido sobre arquitetura, urbanismo, decoração e engenharia, com comentários filosóficos, éticos e morais acerca do universo arquitetônico. Sendo assim, torna-se obrigatório a leitura desse clássico na formação do estudante de arte e de arquitetura.

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Sebastian Le Clerc: Vitrúvio apresentando De Architectura para Augusto, 1684. Xilogravura. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Vitr%C3%BAvio. Acesso em: 04 nov. 2016.

Os antigos talvez achassem que um edifício não poderia ser significativo se não houvesse nenhuma ordem. Também é possível que, ao empregarem as ordens, não como mera decoração, elas seriam instrumentos de controle de novos tipos de estruturas e renovação da linguagem. Apesar de serem estruturalmente inúteis, elas garantem a elegância e controlam a composição tornando os edifícios expressivos e imponentes. Sendo assim, foram combinados os elementos da arquitetura religiosa com a arquitetura secular como forma de transferir todo o prestígio e importância.

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Ordens gregas, de Die klassischen Säulenordnungen der Antike Tafel zum Artikel, Baukunst. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Schema_Saeulenordnungen.jpg. Acesso em: 20 jan, 2017.

É uma prioridade no estudo da história da arte e arquitetura a aquisição de bons dicionários de estilos arquitetônicos, bem ilustrados, para que se estude as ordens, as tipologias, os elementos estruturais e os elementos ornamentais clássicos. Cada ordem clássica possui suas particularidades próprias, e um bom dicionário nos ajuda a reconhecer e nomear seus elementos específicos. Nossas cidades estão repletas desses elementos, a exemplo da arquitetura eclética de fins do século XIX e início do XX.

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Sobreposição de ordens no Coliseu: (1) dórica, (2) jônica, (3) coríntia, (4) pilar compósito (indeterminado). Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

As três ordens gregas fundamentais, para toda a arte e arquitetura subsequente, se baseiam nas ordens dórica, jônica e coríntia. Uma ordem, de forma geral, constitui-se de regras de proporção, elementos e ornamentos padronizados, podendo haver algumas variações esporadicamente. Os romanos acrescentaram duas ordens clássicas às três ordens gregas (dórica, jônica e coríntia): a Toscana e a Compósita. O Coliseu de Roma é um exemplo clássico das sobreposições de ordens que influenciará os tratadistas do futuro, a partir do Renascimento. Como aponta Summerson, é o edifício que exprime, por excelência, o tema dos arcos e ordens combinados, modelo para vários edifícios do Renascimento em diante.

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Sobreposição de ordens no Palazzo Pitti, em Florença, e presença de rusticações. Século XV. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

As ordens são relacionadas ao masculino e ao feminino. Vitrúvio relaciona o dórico ao masculino e o jônico ao feminino. As recomendações do tratadista Serlio são específicas em relação ao uso das ordens[5]. Segundo Serlio, a ordem dórica deve ser usada para as igrejas dos santos mais combativos, como São Pedro e São Jorge. A jônica para santos pacíficos e homens de saber. A ordem coríntia seria para as santas virgens e para a própria Virgem Maria. A ordem toscana seria mais adequada para fortificações e prisões. Sobre a ordem compósita, Serlio não tece comentários especiais. Fora das ordens greco-romanas, outras foram desenvolvidas, como a extravagante ordem francesa de Philibert de l’Orme, por volta de 1567, composta por blocos e tambores separados e ornamentação eclética.

Sob a coluna, temos o embasamento, ou plataforma, que na Grécia era formada do estilóbato, em contato com a base da coluna, e o estereóbato, em contato com o chão, em Roma, pelo podium elevado, tradicionalmente. Os capitéis se unem ao entablamento pelo ábaco, que aparenta ser uma peça separada, mas que era geralmente esculpida na mesma peça do capitel. Já o entablamento compreende a arquitrave, o friso e a cornija, e este também sofre modificações de acordo com a sua ordem.

Segundo Vitrúvio, a provável origem das formas e das ordens derivam da carpintaria, em um tempo em que os templos eram feitos de madeira. Os artificies, no período arcaico grego, passaram a imitar em pedra e mármore os elementos arquitetônicos e estruturais. Os triglifos foram criados a partir da ordenação das vigas, assim como os mútulos sob as cornijas surgem a partir das saliências das asnas, como pingadeiras. Os dentículos da ordem jônica são as extremidades estilizadas em pedra das ripas de madeira dos telhados ancestrais.

Summerson[6] chama a atenção de uma regra rígida para diferentes alternativas no uso das ordens desenvolvidas no período romano. Quando se altera o grau de relevo de uma ordem, como por exemplo, de pilastras para meias-colunas, de meias-colunas para colunas de três quartos e colunas de três quartos para colunas livres, o entablamento deve sofrer a mesma modificação, de forma a se projetar mais. Não se pode variar o relevo das colunas sem se alterar o relevo do entablamento.

O espaço entre as colunas, chamado de intercolúnio, foi especificado pelos romanos através de cinco tipos distintos, descritos por Vitrúvio, medidos em diâmetros de colunas. Vejamos:

Picnóstilo: o espaçamento mais fechado, corresponde a 1½ de diâmetro.

Sistilo: o espaçamento que corresponde a 2 diâmetros.

Êustilo: o espaçamento que corresponde a 2 ¼ diâmetros.

Diástilo: o espaçamento que corresponde a 3 diâmetros.

Araeóstilo: o espaçamento mais largo, corresponde a 4 diâmetros.

Os espaçamentos são importantes pois ditam os ritmos harmônicos dos edifícios, transmitindo ideias de marchas lentas ou rápidas, podendo conferir estabilidade, movimento, elegância e dignidade às fachadas, como uma pauta musical[7]. Existem também as variações dos intercolúnios, que podem ser colunas aos pares, pares espaçados de colunas, colunas dispostas no ritmo estreito-largo-estreito e os citados ritmos de pilastras para meias-colunas, de meias-colunas para colunas de três quartos e colunas de três quartos para colunas livres, como se vê na fachada da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

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Fachada da Basílica de São Pedro, Vaticano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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