Arts and Crafts

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Por Marcelo Albuquerque

Diante da crise do ecletismo e no contexto das novas tecnologias de ferro, concreto armado e vidro na arquitetura, belas artes e utilitários, no decorrer do século XIX, Pevsner recorda que os arquitetos continuavam a evitar os novos materiais e se satisfaziam com efeitos góticos, renascentistas e barrocos. Até mesmo as inovações estruturais não haviam ainda sido encaradas com seriedade pelos arquitetos[1]. Para o inglês William Morris, a arquitetura era a arte maior, pois todas as outras mantinham uma dependência em relação ao espaço e ao edifício. De acordo com essa visão, sem a unidade entre arte e artesanato, a beleza está fadada a desaparecer, e os produtos fabricados se tornam toneladas de quinquilharias, endossando a visão do mau gosto que inundava o mercado com produtos de baixa qualidade estética. O Arts and Crafts valorizava a presença do artesanato frente aos excessos cometidos pelas padronizações de gosto duvidoso da mecanização da indústria de massa. Além de William Morris, destacam-se os Pré-Rafaelitas e o próprio John Ruskin, um dos maiores pensadores britânicos do século XIX, dentro do romantismo tardio.

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William Morris: tecido de mobiliário, 1883. Merton Abbey Workshop (maker), algodão estampado em bloco. Museu Victoria & Albert, Londres. Fonte: Wikimedia Commons.

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William Morris: papel de parede. Fonte: Wikimedia Commons.

Willian Morris proporcionou um renascimento do interesse pelo artesanato e pela arte industrial, estabelecendo as modernas relações entre materiais, processos, objetivos e forma estética. Suas teorias se relacionam com o romantismo alemão, pela sua profunda admiração pela Idade Média, e pelo pensamento romântico tardio inglês (Ruskin, Pugin e movimento de Oxford). Pevsner recorda: “(…) Amava a Idade Média, a natureza e o campo, odiava as grandes cidades. Sua aversão, inicialmente, era visual, mas tornou-se social quase imediatamente” (PEVSNER, 2001, p. 18). O seu socialismo é mais derivado dos ideais comunitários e corporativos medievais do que do materialismo dialético de Karl Marx, e seu medievalismo não pode ser entendido como imitação das formas medievais. O conceito de “gênio isolado” do Renascimento havia retirado, a seu ver, a grandiosidade medieval e separado a arte do cotidiano.

Para Morris e demais pensadores e membros vinculados ao Arts and Crafts, deveria haver uma fusão ideal entre o artista, o artesão e o arquiteto, além da eliminação da distinção das grandes artes, como a pintura, escultura e arquitetura, das artes menores, como mosaicos, gravuras e tapeçarias. Esse novo personagem moderno, o industrial designer, deveria ser capaz de compreender e produzir assimilando os conhecimentos técnicos e eruditos, ser um bom artesão e artista, assim como ter conhecimentos profundos de história da arte, arquitetura e filosofia. Por fim, se chegaria a uma elevação estética que colocaria a produção industrial sob controle do designer, evitando a vulgarização da arquitetura, da arte e seus derivados.

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Kelmscott Manor foi o lugar preferido de William Morris, refletindo o clima pitoresco e simples das casas de campo tradicionais da Inglaterra. Fonte: Wikimedia Commons.

Morris considerava, seguindo o pensamento romântico de Ruskin, que parte da Idade Média teve um momento ideal em termos de estrutura social e desenvolvimento artístico, quando os artistas eram trabalhadores simples e seus produtos faziam parte do cotidiano. A concepção do gênio renascentista ainda não havia chegado e, portanto, tinha-se uma equiparação entre as artes, arquitetura e mobiliário, fundamentadas no prazer artesanal do trabalho. Entretanto, Morris não recusa a máquina por enxergar que o processo industrial diminui os preços para o povo, enquanto produtos artesanais finos serão majoritariamente mais caros para o grande público. Nesse sentido, se justifica o papel do designer como criador e condutor de um processo artístico e estético na indústria.

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Philip Webb: Red House, Bexley Heath. A casa de campo (cottage) expõe tijolos vermelhos sem revestimentos, valorizando a construção dos interiores. Foi mobiliada com obras de Webb e Morris. Fonte: Wikimedia Commons.

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Philip Webb: Standen House. Fonte: Wikimedia Commons.

Morris abriu uma loja e fundou, em 1861, a firma Morris, Marshall e Faulkner, Fine Art Workmen in Painting, Carving, Furniture and the Metals, que foi o ponto de partida de toda a arte industrial e design moderno. A firma reunia alguns dos maiores artistas do país, como Gabriel Dante Rosseti, Burne-Jones e Ford Madox Brown. Não admitia nenhuma diferença primordial entre pintura e escultura da tecelagem ou desenhos de papéis de parede. Em 1880 surge o Arts and Crafts Movement como consequência das doutrinas de Morris, influenciando a criação de novas escolas e remodelando outras já existentes.

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Mobiliário inglês, 1862. Nogueira, gesso, pintura, douramento, vidro e latão. Fonte: Wikimedia Commons.

Na arquitetura, a exemplo da Red House de Philip Webb, destaca-se Richard Normam Shaw, que privilegia o uso de materiais locais em uma etapa conhecida como English Domestic Revival, que representa uma guinada dos arquitetos em direção a Morris. Esse movimento vislumbra as casas de campo revivendo materiais vernaculares como a madeira, azulejos, frontões acentuados e altas chaminés, se afastando dos estilos neogóticos e neoclássicos. Essas casas ficaram conhecidas pela simplicidade caseira e pela sofisticação. De acordo com Pevsner, a Old Swan House, em Chelsea, Londres, possui elementos na fachada que podem ser localizados historicamente, mas sua combinação demonstra a sofisticação e elegância de Shaw[2]. Segundo o autor, Webb e Shaw estabeleceram a casa de classe média como o principal reduto do arquiteto progressista.

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Richard Norman Shaw: Norman Shaw Buildings (New Scotland Yard) é um par de edifícios em Westminster, Londres. Construído entre 1887-1906. Fonte: Wikimedia Commons.

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Richard Norman Shaw: Old Swan House, Londres. Construído em 1876. Fonte: Wikimedia Commons.

O estilo Tudor Revival manifestou-se a partir da arquitetura Tudor do século XVI e da arquitetura vernacular inglesa, encontrada também em outros países que foram colônias britânicas como a Austrália e Nova Zelândia. Richard Norman Shaw e George Devey se destacam como precursores do estilo, ampliando posteriormente para as demais designações conhecidas como neorrenascentistas da Era Vitoriana, chamadas de “Free English Renaissance”, como o também conhecido estilo Jacobetano. Dentro do espírito medievalista e renascentista, a arquitetura focava nos aspectos rústicos e simples, assemelhadas com as casas de campo medievais ou dos estilos normandos com enxaimel. Nota-se a alvenaria de tijolos em espinha de peixe, longas janelas, altas chaminés, pórticos e frontões salientes com pilares e mansardas (janelas de sótão) apoiadas por mísulas. Entretanto, as construções eram caras e não populares, o que as afastava de uma socialização mais abrangente tão desejada pelos medievalistas ligados ou não ao Arts and Crafts. O estilo Jacobetano se insere dentro dos estilos Revivals baseado no renascimento inglês, popular na Inglaterra desde a primeira metade do século XIX. Nele ocorre uma predominância neogótica que pode ser chamado de isabelino, enquanto que a predominância neoclássica sobre o gótico pode ser chamada de jacobino. Sendo assim, é possível generaliza-los como Jacobetanos. Esses estilos, nos séculos XVI e XVII, antecedem a introdução do Barroco, que de certa forma não foi abrangente na Inglaterra por causa da cisão anglicana com a Igreja de Roma.

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Lybert & Co., Great Marlborough Street, Londres. Fonte: Google Maps.

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Highclere House, Hampshire. Início em 1679. Fonte: Wikimedia Commons.

Arthur Heygate Mackmurdo (1851-1942) foi arquiteto, designer e pioneiro do movimento Arts and Crafts. Estudou na Escola de Belas Artes e Desenho de John Ruskin, em Oxford, e com ele viajou para a Itália, momento em que Ruskin fazia profundas pesquisas que levariam à sua célebre obra As Pedras de Veneza, marco na história das teorias de conservação e restauração de arte e arquitetura. Ficou conhecido por seus projetos para o Hotel Savoy, casas particulares e os hotéis Cadogan Gardens. Como um homem de sua época, é influenciado pelo ecletismo clássico, porém Mackmurdo torna-se um precursor do movimento moderno Art Nouveau. Em 1882, funda, baseado nos ensinamentos de William Morris, mentor e fundador do Arts and Crafts, o Century Guild of Artists, com a intenção de produzir móveis e objetos decorativos de qualidade, dentro do princípio do industrial design, em oposição aos de baixa qualidade oferecidos pela indústria massificada. Nesse ambiente, Mackmurdo desenhou e projetou tecidos, tapeçarias, papel de parede e objetos em metal com estilos florais, anunciando propriamente o que viria a ser o Art Nouveau.

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Cadeira projetada por Mackmurdo. Fonte: Wikimedia Commons.

Esses conceitos foram a base do estilo Art Nouveau, baseado na organicidade dos reinos animal e vegetal. Os melhores arquitetos, como Peter Behrens, Bruno Paul, Hanz Poelzig, Pankok, Eckmann e o belga Van de Velde, iniciaram suas carreiras como pintores e desenhistas nesse momento. Em 1902, Van de Velde foi convidado a dirigir a escola de arte de Weimar e abriu ateliês de cerâmica e tecelagem. Em 1907, Bruno Paul instalou-se em Berlim para dirigir a Kunstgewerbeschule, no mesmo ano de fundação da Deutscher Werkbund (presidida por Walter Gropius, dez anos antes da fundação da Bauhaus). Os membros do Werkbund, sob a ótica da Sachlichkeit (objetividade), iniciaram uma reação contra o esteticismo da arte mecanizada do Art Nouveau, sem excluir em absoluto a produção artesanal. Dessa forma, o terreno estava preparado para o moderno ensino de arte protagonizado pelas experiências revolucionárias russas e da Bauhaus e, consequentemente, para a autonomia da cor dentro do ensino acadêmico.

[1] PEVSNER, 2001, p. 18.

[2] PEVSNER, 2001, p. 31.

Grand Tour

Por Marcelo Albuquerque

Viagens à Itália, em especial para estudar a Antiguidade, sempre pautaram roteiros de artistas, arquitetos e estudiosos. O Grand Tour era um tipo de viagem tradicional que percorria a Europa central, com destino final na Itália, realizada em geral por jovens europeus e americanos das classes mais abastadas ou que eram apadrinhados com bolsas de estudo, com o objetivo de complementar a educação erudita, especialmente nas artes, arquitetura, culturas regionais, línguas estrangeiras e política. As viagens tornam-se populares em meados do século XVII, continuando até o surgimento de um itinerário fixo decorrente do transporte ferroviário em larga escala, em meados do século XIX. Esse período é considerado como o início da ideia de turismo de massas, principalmente após as viagens ferroviárias. Esses viajantes compravam e encomendavam pinturas das ruínas e dos locais visitados, fomentando o gosto historicista dos séculos XVIII e XIX, como vemos nas obras de Piranesi ou Panini e nos antiquários locais.

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Viagem à Itália, de Goethe. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Os pontos máximos e sofisticados do Grand Tour abordavam o legado cultural e erudito da Antiguidade Clássica greco-romana, medieval e renascentista, oferecendo a oportunidade única e rara de ver obras de arte emblemáticas e peças musicais inéditas. Os roteiros eram semelhantes aos percursos habituais de peregrinações religiosas católicas e protestantes, porém sem o caráter religioso. Desde os tempos de Albrecht Dürer ao barroco, essas viagens eram consideradas essenciais para os jovens artistas e para suas formações acadêmicas na pintura, escultura e arquitetura. Outro fator importante para o interesse no Grand Tour foram os impulsos neoclássicos com as primeiras escavações arqueológicas das cidades romanas de Herculano e Pompeia, a partir de 1738. Entre as obras de grande prestígio, decorrente dessas viagens, está Viagem à Itália, de Goethe. O pensador alemão, em sua passagem pelo vêneto, demonstra sua admiração pela obra de Palladio:

(…) De todos os lados, porém, a Rotonda apresenta uma visão magnífica. Sua massa central, em conjunto com as colunas à frente, movimenta-se com grande diversidade aos olhos dos que passeiam pela redondeza, e o proprietário, desejoso de legar um grande fideicomisso e, ao mesmo tempo, oferecer aos sentidos um monumento a lembrar-lhe a riqueza, decerto teve ali sua intenção realizada. E assim como, vista de qualquer ponto da região, a edificação apresenta-se magnífica, também a visão que se descortina a partir de seu interior é das mais agradáveis (GOETHE. Viagem à Itália. 1786-1788, p. 65).

O célebre historiador Edward Gibbon também teceu elogios ao Grand Tour como forma de obtenção de conhecimentos essenciais para os historiadores e eruditos em geral.

William Collett e a aquarela de paisagem na primeira metade do séc. XIX

Por Marcelo Albuquerque

Este artigo foi escrito para a exposição de William Collet, realizada no Brasil em 2010
A obra imagética de William Rickford Collett, em um primeiro momento, se relaciona a uma tradição de artistas viajantes que se sucederam no Brasil durante grande parte de nossa história. Consideramos, no entanto, o fato de Collett não se enquadrar propriamente como um artista, mas sim como engenheiro entusiasta da pintura. Porém, em seu diário, a presença da terra natal, Inglaterra, se faz constante e, portanto, não poderia deixar de focar a tradição inglesa da aquarela.

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Assim como os viajantes aquarelistas em solo brasileiro, William Collett coletou dados fundamentais sobre a paisagem, o percurso, as pessoas e os costumes. Um trecho em especial me chamou a atenção quando, de sua viagem, passa por Congonhas do Campo, em Minas Gerais. O viajante cita um encontro com esculturas em frente a uma igreja, para em seguida deduzir como vindas da Europa, por sua maestria na composição e na técnica, desconhecendo também o tipo de pedra das esculturas. Claros sinais de seu encontro com Aleijadinho e suas atribuições.

De caráter documental e amador, as aquarelas apresentam um registro naturalista dos fatos, onde percebemos o entusiasmo e vigor de Collett pelo desenho, ao longo das mais de setenta imagens de seu diário. Pois não só através de artistas profissionais a imagem do Brasil foi registrada, mas também através de pintores amadores vinculados às transações comerciais, diplomáticas e militares. Vale citar a figura do militar inglês Henry Chamberlain (1796 – 1844), que produziu diversos trabalhos sobre a cidade do Rio de Janeiro.

Com a produção de papéis de alta qualidade no séc. XVIII, a primeira escola nacional de aquarelistas emergiu na Grã-Bretanha, surgindo o termo “Escola Inglesa”. Esta tradição começou com os desenhos topográficos que se popularizaram nos sécs. XVII e XVIII, enquanto a Grã-Bretanha despontava como potência mundial. A aquarela topográfica foi usada primeiramente como um registro objetivo de um lugar real em uma era antes da fotografia. Quando as figuras humanas aparecem, são para principalmente demonstrar as atividades típicas de um lugar ou fornecendo um sentido da escala arquitetônica. A aquarela foi bastante utilizada por sua praticidade de uso ao ar livre e em áreas remotas. Outra função das técnicas de perspectiva e de desenho topográfico foi sua utilização em academias militares, usadas para registrar posições defensivas ou costumes de povos conquistados. Finalmente, os topógrafos também gravaram as descobertas das expedições naturalistas e arqueológicas, muitos deles financiados por sociedades de cientistas naturais amadores e profissionais.

Willian Collett viveu na era romântica, mas seu trabalho seguiu os passos dos topógrafos. Os artistas e poetas românticos seguiam seus ímpetos e impulsos criativos – Sturm und Drang (tempestade e ímpeto). As paisagens remetiam às relações do homem com as forças da natureza, ao sublime e ao melancólico, o êxtase diante da força divina enxergada pelas forças naturais. É neste período que a pintura de paisagem afirma sua autonomia nas artes.

William Collett viveu no período da Escola Inglesa e na era dos viajantes aquarelistas no Brasil. Seus registros de sua passagem pelo Brasil devem ser mais que valorizados; devem ser estudados e levados ao grande público para que sua obra não se afaste de nós brasileiros.

Marcelo Albuquerque, fevereiro de 2010.

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O Terror Gótico e a Villa Diodati

O Terror gótico e a Villa Diodati.

Por Marcelo Albuquerque

A Villa Diodati é uma mansão na vila de Cologny, perto do Lago de Genebra, na Suíça. Lord Byron a alugou junto à John Polidori e, no verão de 1816, Mary e seu futuro marido Percy Bysshe Shelley se juntaram a eles. Por causa do mau tempo, o grupo passou três dias dentro da residência contando e criando estórias fantásticas e fantasmagóricas de terror gótico. Surge daí dois grandes personagens clássicos do terror: o monstro de Frankenstein, de Mary Shelley, e O Vampiro, de Polidori, que daria origem à tradição dos vampiros modernos, como o de Bram Stoker, de 1895.

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Villa Diodati. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Villa_Diodati. Acesso em: 08 nov. 2016.