Roma Antiga: para artistas, arquitetos e viajantes – relação de aulas no Hotmart – EM BREVE!

Este curso, composto de aulas gravadas, é fruto de intensas pesquisas realizadas ao longo de uma vida acadêmica como artista e professor de história da arte. As imagens do autor na Itália foram obtidas após um rigoroso planejamento, de forma a aproveitar, com um tempo razoavelmente curto, o máximo possível de experiências diretas com o melhor da arte e arquitetura da Roma Antiga, bem como de outros períodos históricos que a Itália proporciona como nenhum outro país. Todo o conteúdo é embasado em literatura acadêmica, descrita ao longo do texto, e suas referências são fundamentais para aqueles que desejam estudar e lecionar a história da arte e da arquitetura, ou como admirador e viajante. Este curso também cumpre a função de ser um excelente roteiro de viagem para iniciantes e iniciados na história da Roma Antiga.

Aulas em gravação. Em breve o lançamento!

Introdução

Roma – Origens míticas e o surgimento da monarquia romana

Roma Antiga – Introdução – Fórum Romano

Roma Antiga – Introdução – Fórum Romano: Percurso I EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Roma Antiga – Introdução – Fórum Romano: Percurso II EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Roma Antiga – Introdução – Fórum romano: espetáculo noturno EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Edifícios romanos

O arco romano e as abóbadas

Tecnologias de contrução romanas I – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Tecnologias de contrução romanas II – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Basílicas romanas

Aquedutos romanos

Teatros, Anfiteatros, Circos, Estádios e Odeons – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Coliseu

Panteão

Domus italica – conceitos gerais – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Cidades

Pompeia – Panorama geral

Domus italica em Pompeia

Por Marcelo Albuquerque

Como vimos anteriormente (ver Domus italica), as casas romanas eram mais que um mero abrigo para o corpo físico; era o ponto de encontro da família e o centro das cerimonias religiosas mais intimas. De origem etrusca, as casas ou domus eram o tipo de habitação mais comum entre a nobreza e os endinheirados romanos, construídas com nobres e resistentes materiais. As domus mais bem preservadas estão nos sítios arqueológicos de Pompeia e Herculano, e parte considerável dessas residências continua sendo escavada em Pompeia. A seguir veremos algumas domus que são abertas à visitação do público, porém eventualmente algumas permanecem fechadas para trabalhos de restauração.

A domus italica, em geral, possui uma configuração básica que se repete independentemente da extensão da casa, composta pelo fauces, átrio, cubículos, alas, tablinum, triclínio, cozinha e latrina. Quanto mais posses e riquezas tiver o senhor da casa, maior a casa, e esta poderia agregar e repetir essas estruturas, bem como agregar jardins internos, externos e peristilos, além de andares superiores e mezaninos.

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Domus italica: Variações. Adaptado por Marcelo Albuquerque.

De maior grandiosidade, a Casa do Fauno é nomeada assim por causa da estátua em bronze de um fauno dançando encontrada no local, cuja réplica se localiza atualmente no centro do impluvium. É um belo exemplo do resultado da fusão dos modelos arquitetônicos da casa Itálica centrada em torno do átrio e o helenístico peristilo de habitação. Ocupa uma insula inteira, ou seja, como um bloco inteiro de quarteirão moderno. As insulas podem significar tanto este tipo quarteirão, como uma espécie de edifício de apartamentos da Roma Antiga. O mosaico no piso da exedra apresenta uma cópia de A Batalha de Issus, entre Alexandre e Dario, enquanto o mosaico original encontra-se no Museu de Nápoles (ver Mosaicos e trabalhos finos em pedra). Acredita-se que o mosaico de Pompeia seja uma cópia de um original grego helenístico perdido. O mosaico é uma reprodução de uma pintura feita na vida de Alexandre, ou logo após sua morte, possivelmente por Philoxenus ou Eretria. A Casa do Fauno possui um grande peristilo de ordem dórica, na qual é possível contemplar as belas colunas de alvenaria revestidas de estuque no estilo helenístico.

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Planta da Casa do Fauno. Fonte: adaptado de AD79 por Marcelo Albuquerque. Disponível em: https://sites.google.com/site/ad79eruption/pompeii/regio-vi/reg-vi-ins-12/house-of-the-faun. Acesso em: 17 set. 2016.

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Casa do Fauno: pórtico de entrada ornado com pilares de capitéis coríntios e imponente entablamento e cornija. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Casa do Fauno: fauces (vestíbulo) com elementos ornamentais, lararium com cornija e pinturas no primeiro estilo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Casa do Fauno: átrio e impluvium com a réplica da escultura original do fauno. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Casa do Fauno: réplica da escultura original do fauno. O original encontra-se no Museu de Nápoles. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Casa do Fauno: primeiro peristilo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Casa do Fauno: segundo peristilo. Novamente, nesta imagem vê-se claramente as tecnologias de construção romanas em alvenaria e estuques ornamentais, emulando caneluras de colunas de mármore grego. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Casa do Fauno: elementos construtivos do segundo peristilo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Edifícios e estruturas de Pompeia

Por Marcelo Albuquerque

A Porta Marina, entrada principal do parque, até a fatal erupção do Vesúvio em 79 d.C., situava-se rente ao porto da cidade, na costa do mar, e atualmente está a quilômetros de distância. É por ela que se acessa o parque pela estação de trem principal e bilheteria. De acordo com o website oficial do Parque Arqueológico de Pompeia, a Porta Marina é semelhante a um bastião, e junto com Porta Herculano é uma das mais imponentes dos sete portões de Pompéia.  Possui dois arcos de abóbadas de berço combinados em uma única estrutura em opus caementicium, sendo que uma passagem se destinava a pedestres e a outra, maior, para veículos, separadamente.

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Entrada da Porta Marina do sítio arqueológico de Pompeia, a partir da estação de trem. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Entrada da Porta Marina do sítio arqueológico de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Entrada da Porta Marina e calçamento original romano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Saída da Porta Marina, com detalhes das camadas estruturais das paredes. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Saída pela Porta Herculano, em direção à Via delle Tombe e Vila dos Mistérios. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Ao entrar pela Porta Marina, os calçamentos das ruas chamam atenção pela preservação de ricos detalhes. As ruas pavimentadas de Pompeia possuíam passadiços elevados para que os pedestres atravessassem com maior conforto, evitando as águas torrenciais e o esgoto da cidade. Em algumas pedras dos calçamentos podemos ver as impressionantes marcas dos aros metálicos das rodas dos carros romanos, que tinham um padrão de eixo de 1,40m. As fontes de água também chamam atenção e refrescam os visitantes que enchem as ruas das cidades.

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Rua e passadiço de Pompéia, com as marcas das rodas de carros. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Passadiço de rua de Pompéia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Marcas das rodas de carros em Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fontes em Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

O Fórum de Pompeia remonta ao período de ocupação samnita, quando se intensificou a monumentalidade arquitetônica de seus edifícios. Possui uma grande forma retangular, tendo ao norte o Templo de Júpiter (tríade capitolina) e, ao sul, no acesso para a Porta Marina, a basílica. Na praça central encontrava-se o grande pórtico com colunatas ladeando o fórum. Era cortado pelo cardus maximus e decumanus maximus, sendo o primeiro chamado Via del Foro e o último Via dell’Abbondanza. Ao contrário de uma típica cidade romana planejada, o fórum principal de Pompeia não se localizava próximo ao centro geográfico da cidade, mas estava deslocado para o oeste, no sentido da Porta Marina. À medida em que a cidade foi se expandindo, esta tomou a direção da Via dell’Abbondanza, ao leste, na região do anfiteatro. Na entrada do Fórum de Pompeia destacam-se as imponentes ruínas da basílica que datam do século II a.C.

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Planta do Fórum de Pompeia, adaptado de August Mau por Marcelo Albuquerque. Fonte: Wikipédia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Pompeii. Acesso em: 12 jan 2018.

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Fórum de Pompéia. Fonte: Google Earth. Acesso em: 20 set. 2016.

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Basílica de Pompeia. Ao fundo a colunata coríntia do tribunal e alto podium. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Basílica de Pompeia, com as bases das colunatas, dando uma visão das dimensões das naves. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Pórtico da Basílica de Pompeia, com colunatas dóricas e jônicas. Vemos uma base para esculturas antecedendo a colunata dórica. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fórum de Pompeia com o Monte Vesúvio ao fundo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Templo de Júpiter, com a tríade capitolina (Júpiter, Juno e Minerva), no fórum. Concreto e tufa. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Templo de Júpiter, com a tríade capitolina (Júpiter, Juno e Minerva), no fórum. Concreto e tufa. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Podium do Templo de Júpiter, em frente ao Maccelum, no fórum. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Além do fórum e seus templos, destacam-se outros edifícios como o Pistrinum (moinho), o Macellum (mercado de alimentos), as termas e pequenos restaurantes.

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Maccelum, no fórum. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Depósito de artefatos situado no Fórum de Pompeia, local de trabalho e catalogação arqueológica. Encontra-se nesse local moldes de gesso de corpos humanos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Ânforas e vasos cerâmicos diversos no depósito do Fórum de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Carroça de madeira no depósito do Fórum de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Corpo de criança no depósito do Fórum de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Latrina do Fórum de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Livros e E-books de Marcelo Albuquerque

Roma: para artistas, arquitetos e viajantes

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Cor: fundamentos artísticos e estéticos nas artes plásticas

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Livro impresso e E-book

Giuseppe Fiorelli e os moldes de gesso

Por Marcelo Albuquerque

Giuseppe Fiorelli, quando assume o comando das escavações em 1863, em Pompeia, encontra espaços vazios nas camadas de cinzas que continham restos humanos. Ele percebeu que estes espaços foram deixados pelos corpos em decomposição e por isso desenvolveu a técnica de injeção de gesso para refazer as formas das vítimas. Algumas possuem uma expressão de terror claramente visível. Atualmente, esta técnica está em uso, porém o gesso foi substituído por uma resina especial que permite uma melhor conservação e estudo dos corpos. A resina, por ser mais durável e não destruir os ossos, permite análises mais aprofundadas. Fiorelli estabeleceu um método de escavação que partia de cima para baixo, visando a reconstituição futura das construções.

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Moldes e corpos de vítimas em exposição no anfiteatro de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Moldes e corpos de vítimas em exposição no anfiteatro de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Moldes e corpos de vítimas em exposição no anfiteatro de Pompeia. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Pompeia – introdução

Por Marcelo Albuquerque

Estudar a cidade de Pompeia é uma das melhores oportunidades de voltar ao passado e conhecer de perto as tecnologias de construção e os interiores das casas dos ricos romanos. O conhecimento geral da cidade proporciona um panorama de análise sobre todo o mundo romano, não só de como era uma típica cidade romana em si, indo além, pois fornece conhecimentos sobre detalhes mínimos da arquitetura, planejamento urbano, mobiliário e costumes dos cidadãos de Roma. A cidade foi uma espécie de balneário muito valorizado e frequentada por ricos e famosos.

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Mapa de Pompeia. Adaptado por Marcelo Albuquerque. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Map_showing_the_main_streets_of_Pompeii.jpg. Acesso em; 06 jan. 2018.

Pompéia está situada ao sul de Nápoles, na região da Campânia italiana. A cidade, junto à sua vizinha Herculano, no ano 79 de nossa era, foi destruída e soterrada por cinzas vulcânicas e pedras-pomes durante a grande erupção do Monte Vesúvio. Sua população era estimada em cerca 11.000 pessoas, porém sabe-se que a maior parte conseguiu escapar a tempo do desastre. Os que morreram no local foram enterrados sob toneladas de cinza vulcânica.

A destruição foi narrada na carta de Plínio, o Jovem, que viu a erupção a uma distância segura e descreveu a morte de seu tio Plínio, o Velho, célebre historiador e almirante da frota romana, que morreu intoxicado durante o resgate de cidadãos. O Monte Somma e o Vesúvio faziam parte da mesma montanha, que se dividiu na erupção de 79. Sua altura chegava a 2.000 m. O mar afastou-se da costa aumentando a distância entre Pompeia e o litoral.

Depois que as grossas camadas de cinzas cobriram Pompéia, ela foi abandonada e esquecida. Em 1599, os primeiros vestígios foram encontrados, quando um canal subterrâneo foi escavado para desviar as aguas do rio Sarno, revelando paredes cobertas com pinturas e inscrições. O arquiteto Domenico Fontana foi chamado, e este revelou mais alguns afrescos, mas, em seguida, cobriu-os de novo, pois o conteúdo sexual frequente de tais pinturas poderia comprometer a integridade das mesmas devido aos moralismos e contextos da época. Em 1738 iniciaram-se as escavações de Herculano, e dez anos depois em Pompeia. Atualmente, é Património Mundial da UNESCO. A beleza da cidade escavada está na possibilidade de estudar um instantâneo da vida romana no século I, congelado no tempo em que foi soterrada, no dia 24 de agosto. A cidade de Pompeia segue a tradição de planta romana com seu cardus e decumanus bem definidos, convergindo no seu belo e monumental fórum. Tinha um sistema complexo de águas, anfiteatro, teatros, ginásio, termas e muralhas com sete portas ao longo de seu perímetro.

Os afrescos fornecem informações valiosas para a historiografia da arte do mundo antigo, através dos quatro estilos de pinturas romanas. Muitas pinturas possuem teor erótico, incluindo o uso frequente do falo dedicado ao deus Príapo, inclusive nas esculturas e estuques nas paredes, enquanto outras representam cenas dramáticas e mitológicas.

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Casa do Poeta Trágico: cena de Teseu e Ariadne no triclínio decorado com painéis amarelos no quarto estilo, com arquiteturas fantásticas. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

O sítio arqueológico de Pompeia está sob constante ameaça devido à deterioração causada pela exposição aos elementos naturais, aos milhões dos visitantes a cada ano e aos danos potenciais das atividades sísmicas e vulcânicas. Recentemente foi divulgado nos grandes jornais brasileiros alguns desmoronamentos e problemas na conservação e administração na cidade de Pompeia[1]. Diversas autoridades ficaram em alerta, não só pelas péssimas condições de conservação, mas também por denúncias de corrupção. Há poucos anos, desmoronamentos na cidade de Pompeia deixaram em alerta diversas autoridades no assunto por causa desses motivos. Segundo a imprensa, os fundos estavam sendo desviados pela máfia, junto à má gestão e saques de pedaços de afrescos e outros elementos históricos. A situação tornou-se mais preocupante após o desmoronamento da Casa dos Gladiadores, em 2010. Segundo o Estadão, a Associação Nacional dos Arqueólogos da Itália expressou “pesar e raiva” sobre o mais recente desmoronamento e criticou o governo por não nomear alguém para liderar a restauração. Parte do muro de um jardim que cercava uma antiga casa, nos arredores da Casa do Moralista e perto da Casa dos Gladiadores, cedeu em diversos pontos, devido à umidade extrema do solo e negligência. A Casa do Moralista constitui-se de lares de duas famílias da cidade antiga, fechadas à visitação aos turistas.

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Rua de Pompeia, próxima à Casa do Fauno, com o monte Vesúvio ao fundo. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Villas

Por Marcelo Albuquerque

As villas são residências de uso urbano e rural, ou apenas rural, que devem conter caves, celeiros, currais, silos e armazéns de acordo com agricultura e pecuária da região. Em Pompéia, a mais famosa é a Vila dos Mistérios, facilmente acessada pela Via delle Tombe, encontrando-se cerca de 400 metros a noroeste das muralhas da cidade. Pompéia está em uma região fértil, com ricos solos vulcânicos, que cercam o Monte Vesúvio e que sempre foram excelentes para a agricultura, desde a Antiguidade. A Vila dos Mistérios, na área rural circundante de Pompéia, foi uma das vilas dedicadas ao cultivo de frutas, verduras, cereais, cevada e trigo, juntamente com o vinho e o azeite. As vinhas foram de extrema importância para a economia de Pompéia.  Acredita-se que as vinhas da antiga Pompeia são muito semelhantes em estrutura às modernas vinhas atuais. A Vila dos Mistérios proporciona uma fantástica visão de planta e de técnicas construtivas de uma abastada vila romana rural, mas que mantem no desenho várias semelhanças com a domus urbana. A Vila dos Mistérios remonta originalmente ao século II a.C., mas o seu layout atual foi sendo modificado até aproximadamente o ano 62 de nossa era.

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Planta da Vila dos Mistérios. Fonte: AD79. Disponível em: https://sites.google.com/site/ad79eruption/pompeii/villas-outside-the-walls/villa-of-the-mysteries. Acesso em: 17 set. 2016.

Na figura acima, podemos localizar as seguintes áreas: (a) via superiore-vestíbulo, (b) quarto dos empregados, (c, e) sala, (d) corredor, (f) latrina, (g) peristilo, (h) torcularium, (i) cozinha secundária, (j) pátio da cozinha, (k) átrio tetrastilo, (l) tepidarium, (m, p, q, t) cubiculum, (n) oecus, (o) átrio principal, (r) tablinum, (s) varanda tipo exedra, (u) triclínio dos Mistérios Dionisíacos, (v) pórtico, (x) viridaria, (y) pórtico do sudeste.

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Vila dos Mistérios: panorama mostrando as profundas escavações e o pórtico do sudeste. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vila dos Mistérios: podium com arcadas cegas e criptopórticos do sudeste. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vila dos Mistérios: detalhe de coluna do pórtico sudeste e sua tecnologia de construção em alvenaria com revestimento de estuque. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vila dos Mistérios: átrio principal. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vila dos Mistérios: corpo de gesso no átrio principal. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentada com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentada com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vila dos Mistérios: oecus (sala) ricamente ornamentadas com pinturas no segundo estilo, com arquiteturas imaginárias. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Além de representar um belo exemplo preservado de uma vila romana, a Vila dos Mistérios é famosa pelos seus afrescos, em especial as pinturas do seu icônico triclínio. Nele está representado os Mistérios Dionisíacos ou ritos pré-nupciais. O tema da representação é um assunto muito discutido, não se sabendo ao certo qual o tema correto, devido aos elementos ambíguos que podem remeter aos dois sentidos.

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Vila dos Mistérios: triclínio dos Mistérios Dionisíacos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Domus italica

Por Marcelo Albuquerque

As casas romanas eram mais que um mero abrigo para o corpo físico; era o ponto de encontro da família, o centro das cerimonias religiosas mais intimas. A domus italica possui origem etrusca, e era o tipo de habitação mais comum entre a nobreza e os endinheirados romanos, construídas com nobres e resistentes materiais. Possuem elementos etruscos, latinos e gregos. Para introduzir as características de uma casa romana, primeiramente é necessário apontar algumas tradições romanas que determinarão as funções e divisões de uma casa romana, em especial a domus itálica. A família romana era presidida pelo paterfamilias[1] e reunida no lar, ao lado da figura feminina da materfamilias, detentora principalmente das obrigações domésticas, sociais e educacionais dos filhos. O termo familia podia englobar tanto o conjunto do patrimônio quanto ao conjunto total de membros e escravos de uma família, abrigados sobre o poder de um paterfamilias. Dentro lar ficavam os altares chamados lararium, com imagens dos deuses domésticos e dos cultos privados. Segundo Giordane: “Para todos nós, o lar é um santuário tão sagrado que arrancar dele um homem é fazer um ultraje à lei do céu” (GIORDANE, 2012, p. 186). A educação começava no lar, e desde jovem o romano nutria a veneração pelos antepassados, como um prolongamento de sua família, representadas pelas imagines expostas no átrio da residência. A religião fez com que a família formasse um corpo nessa vida e na outra; mais que uma associação natural, uma associação religiosa. A Gens Julia, por exemplo, prestava culto a Vênus, fundadora da Gens[2], pois se consideravam herdeiros da deusa e de Enéias, avô de Julo e fundador da família que pertenciam Romulo e Remo. O lararium, ou sacrarium, era a capela doméstica, em geral no átrio, com imagens das divindades familiares e local da chama sagrada[3]. Cabia ao paterfamilias conservar essa chama sagrada e agradar aos deuses com oferendas, como frutas, incensos e vinhos. Os romanos tinham um temor de que, se não praticassem os rituais corretos, os mortos retornariam e se tornavam errantes, prejudicando os vivos que os negligenciaram nas relações e nos negócios. Os deuses lares eram os espíritos dos mortos, que podiam ser maléficos, que erravam pela terra fazendo aparições e pronunciando desgraças, sendo apaziguados nas festas chamadas Lemurias, quando eram solenemente apaziguados. As orações continham pedidos de caráter material, como saúde, prosperidade e fecundidade, havendo também o votum, uma forma particular de prece, como uma troca de favores. Após a prece, ocorriam os sacrifícios de animais e vegetais, que podiam ser ou não queimadas. Estes não podiam ter defeitos, deveriam ser os melhores.

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Pompeia: lararium da Casa do Poeta Trágico. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

A casa urbana padrão em Pompeia era a domus helenizada, que agrega elementos romanos e gregos, como o peristilo nos interiores, podendo formar grandes e vistosos jardins internos, como vemos na Casa do Fauno (ver Casa do Fauno). Em Pompeia, as fortes estruturas sobreviveram aos séculos, ao contrário da maioria das residências romanas de classes inferiores, que se perderam no tempo. As características e formas de construção da domus italica foram descritas detalhadamente por Vitrúvio, no Tratado de Arquitetura, no Livro 6. A parte anterior das residências possuem nomes latinos, como vestíbulo, átrio, fauces, alae, tablinum e cubiculum (cella). As partes posteriores recebem nomes gregos, como peristilo, exedra e triclínio. Vitrúvio ainda descreve quais são as áreas privadas e públicas dentro de uma típica casa romana, destinadas às pessoas íntimas e às pessoas estranhas. As domus mais bem preservadas estão nos sítios arqueológicos de Pompeia e Herculano, na Campânia, aos pés do Monte Vesúvio. Parte considerável dessas residências continua sendo escavada em Pompeia. Nelas ainda são encontradas pinturas, mobiliários e objetos que desvendam os detalhes do cotidiano romano. Pompeia era uma cidade de ricos moradores e ostentava luxuosas residências com os mais finos ornamentos que um romano poderia comprar. As domus eram residências bem reservadas, e não possuíam janelas para as ruas, tanto por causa da segurança quanto por privacidade. A ventilação da casa se dava principalmente pelos átrios e peristilos.

O centro da casa era o atrium, o espaço interior em torno do qual se articulam os compartimentos da residência, acessado através das fauces (entrada apertada prolongada entre a porta e o átrio) e do vestíbulo que conectavam o exterior com o interior da casa. Vitrúvio descreve cinco tipos de tipologias de átrios: toscano, coríntio, tetrastilo, displuviado e testudinado[4]. Em geral, no átrio localizam-se o impluvium e o compluvium, destinados ao aproveitamento das águas das chuvas sem criar transtornos para as áreas internas. Quatro águas convergentes para o centro. O compluvium garantia uma boa Iluminação e ventilação para os interiores. O impluvium funciona como um tanque de água, podendo ser bastante ornamentado com mosaicos, pedras, plantas e fontes, e costumam abrigar no subsolo logo abaixo um outro reservatório de água conectado a uma rede de esgoto. O átrio displuviado possuía a inclinação do telhado de forma a direcionar as águas para o exterior, e não para o interior da domus. Prestam-se mais para as residências de inverno, segundo Vitrúvio. O átrio testudinado era coberto com uma abóbada (testudo).

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Pompeia: Átrio da domus de Casca Longus. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Pompeia: lararium da Casa do Poeta Trágico. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.