Roma Antiga: para artistas, arquitetos e viajantes – relação de aulas no Hotmart – EM BREVE!

Este curso, composto de aulas gravadas, é fruto de intensas pesquisas realizadas ao longo de uma vida acadêmica como artista e professor de história da arte. As imagens do autor na Itália foram obtidas após um rigoroso planejamento, de forma a aproveitar, com um tempo razoavelmente curto, o máximo possível de experiências diretas com o melhor da arte e arquitetura da Roma Antiga, bem como de outros períodos históricos que a Itália proporciona como nenhum outro país. Todo o conteúdo é embasado em literatura acadêmica, descrita ao longo do texto, e suas referências são fundamentais para aqueles que desejam estudar e lecionar a história da arte e da arquitetura, ou como admirador e viajante. Este curso também cumpre a função de ser um excelente roteiro de viagem para iniciantes e iniciados na história da Roma Antiga.

Aulas em gravação. Em breve o lançamento!

Introdução

Roma – Origens míticas e o surgimento da monarquia romana

Roma Antiga – Introdução – Fórum Romano

Roma Antiga – Introdução – Fórum Romano: Percurso I EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Roma Antiga – Introdução – Fórum Romano: Percurso II EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Roma Antiga – Introdução – Fórum romano: espetáculo noturno EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Edifícios romanos

O arco romano e as abóbadas

Tecnologias de contrução romanas I – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Tecnologias de contrução romanas II – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Basílicas romanas

Aquedutos romanos

Teatros, Anfiteatros, Circos, Estádios e Odeons – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Coliseu

Panteão

Domus italica – conceitos gerais – EXCLUSIVA PARA ASSINANTES!

Cidades

Pompeia – Panorama geral

A escultura romana e museus

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Por Marcelo Albuquerque

As influências etruscas e gregas são cruciais para o desenvolvimento de toda a obra escultórica romana, principalmente a partir do século II a.C. Os romanos desenvolveram uma exuberante arte dos retratos, sem precedentes na história, não só dos imperadores, mas dos patrícios e demais personagens que desejassem manter sua memória presente. Entretanto, os romanos desenvolvem retratos mais realistas, de preocupação acentuada no registro histórico, na memória triunfal e nas expressões faciais naturalistas. Os principais ramos da escultura se dividiam em esculturas religiosas-mitológicas (divindades), alegorias históricas, retratos de personagens contemporâneos, e relevos históricos e funerários.

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Sarcófago etrusco de Cerveteri, 520 a.C., Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Sarcófago etrusco de Cerveteri, 520 a.C., Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Conforme foi abordado no capítulo sobre os etruscos (ver etruscos), em especial na escultura em terracota e bronze, a arte romana deriva-se em parte dessa cultura mãe junto à uma interpretação do estilo grego arcaico, como observado nas esculturas votivas de Vulca e no Sarcófago de Cerveteri, como se vê no acervo do Museu de Villa Giulia (ver Villa Giulia). Os retratos etruscos passaram a acolher um maior realismo, principalmente sob as influencias helenísticas da Magna Grécia.

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Loba Capitolina. Bronze. Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Três estátuas de terracota de figuras femininas sentadas de um santuário em Ariccia, século III a.C. Museu Nacional Romano, Termas de Diocleciano. Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

O período arcaico grego também influenciou um momento da escultura romana no século I. A escultura arcaica grega inicia-se por volta de 650 a.C. e se estende até 480 a.C., data da vitória grega contra os persas na Batalha das Termópilas. As imagens apresentam forte influência dos cânones egípcios, sendo que as esculturas votivas masculinas são conhecidas como Kouros (plural Kouroi), sempre nus, enquanto as femininas, sempre vestidas, são chamadas de Koré (plural Korai). São figuras idealizadas com aspectos arcaizantes, pois não haviam ainda retratos naturalistas nesse período. Com cânones rígidos, predomina na escultura a posição monolítica com o pé esquerdo avançado, como no Egito. Os deuses carregavam seus atributos e, diferente dos egípcios, são as primeiras esculturas de vulto redondo, em tamanho natural, completamente liberadas da pedra, pintadas com uma rica policromia. Veremos adiante as cópias romanas dos períodos gregos clássico e helenístico que se seguem ao período arcaico.

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Cabeça feminina arcaística. Nota para o chamado “sorriso arcaico” e os olhos amendoados. Século I. Mármore grego insular. Museu do Palatino. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Nas artes, o período helenístico (séculos IV-II a.C.) introduz a arte do retrato, apresentando as características físicas do retratado, que posteriormente é adotada pelos romanos, da qual somos herdeiros diretos. O pathos[1] e a teatralidade parecem ocupar o espaço do idealismo clássico do período anterior das cidades-estados gregas, levando as esculturas a se assemelharem a atores em cena. A arquitetura já não se satisfaz com as rígidas ordens dóricas e jônicas, e se apresenta cada vez mais monumental, ornamentada e influenciada por estilos orientalizantes, assim como ocorre em parte da escultura romana.

Em Roma, os museus exibem algumas peças do período neoático, ou seja, referente à Atica, região de Atenas, período de produção de um estilo de esculturas, relevos, pinturas e arquitetura que começou no século II a.C. até o século II d.C. O neoaticismo espalhou a cultura artística grega no Ocidente, principalmente para o Estado e para clientes romanos mais abastados, tornando-se a base da cultura artística erudita oficial. Seu desenvolvimento toma como principal referência os séculos V e IV a.C., quando do apogeu de Atenas frente às cidades-estados gregas, durante o período do estilo severo[2], período clássico, clássico tardio e estilo arcaizante de meados do século IV a.C. Além das imagens iconográficas religiosas (mitológicas), juntou-se o retrato de figuras públicas.

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Ártemis. Século II d.C. Período neoático. Mármore lunense. Baseado em original helenístico de 200 a.C. Galeria Borghese. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Roma possui museus com valiosos acervos de esculturas, se destacando os Museus do Vaticano, os Museus Capitolinos e o Museu Nacional Romano, este último instalado em diversos pontos da cidade em importantes edifícios, como as Termas de Diocleciano (ver Termas de Diocleciano). A Galleria degli Uffizi, em Florença, também oferece um importante acervo de bustos romanos. Os Museus Capitolinos são um ponto forte da cidade e indispensável para conhecer e admirar a escultura da Roma antiga.  Foi aberto ao público pelo papa Clemente XII, em 1734, sendo considerado o primeiro museu no mundo, seguido pelo Louvre em Paris, entre outros. Seu acervo possui obras famosas, como a escultura equestre em bronze do imperador Marco Aurelio, no Palácio dos Conservadores, cuja réplica encontra-se no centro da praça do Campidoglio (ver Capitolino), e a cabeça colossal de Constantino, do século IV, que originalmente ficava instalada na Basílica de Constantino, no Fórum Romano, e a Loba Capitolina, atribuída como escultura etrusca, do século V a.C., mas que pode ter origem medieval.

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Galeria de esculturas do Palácio Novo. Museus Capitolinos. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Viagem à Itália – Sugestão de roteiro – 12 dias

Por Marcelo Albuquerque

Roma

DIA 01: COLISEU – FÓRUM – PALATINO

Coliseu (comprar Romapass ao chegar em Roma). Arco de Constantino. Fórum Romano: Antiquarium Forense: museu do fórum. Junto ao Templo de Vênus e Roma. Arco de Tito. Via Sacra. Basílica de Constantino. Templo de Antonino e Faustina. Arco de Sétimo Severo. Templo de Saturno. Casa das Virgens Vestais. Templo de Vesta. Cúria. Palatino: Domus Flavia. Domus Augustana. Casa de Lívia. Stadium. Templo de Cibele. Cabanas de Rômulo. Museu do Palatino, Jardins Farnese. Fórum de Trajano: Fórum de Cesar, Augusto e Nerva. Fórum e Mercado de Trajano. Coluna de Trajano. Torre dele Milizie. Casa dos Cavaleiros de Rodes.

DIA 02: CAMPIDOGLIO – FÓRUM BOÁRIO – TRASTEVERE

Piazza Venezia. Monumento Vittorio Emanuelle II: subida ao mirante. Insula. Scalinata dell’Aracoele. Santa Maria in Aracoele: antigo templo de Juno. Museus capitolinos. Palazzo Nuovo, Palazzo dei Conservatori e Tabularium. Caminhada pelas bases do Capitolino e Palatino. Teatro de Marcelo – Templo de Apolo – Pórtico de Otavia. Nossa Senhora da Consolação – via de San Teodoro. Santa Anastasia al Palatino. Circo Massimo. Santa Maria in Cosmedin. Fórum Boário: templos de Portuno e Hercules. Boca da Verdade. Arco de Jano. São Jorge Velabro. Vista do Tibre para a Ponte Rotto e Ponte Palatino. FIM DE TARDE: Trastevere: bares e restaurantes. Santa Maria in Trastevere.

DIA 03: PIAZZA NAVONA – PANTEÃO – FONTANA DE TREVI

Il Gesu: ícone de igreja jesuíta e barroca. Largo da Torre Argentina. Sant Andrea della Vale. Piazza Navona. Fonte dos Quatro Rios – Bernini. St Agnese – Borromini. San Luigi dei Francesi – Caravaggios. Palazzo Madama – fachada – Senado italiano. Santo Ivo alla Sapienza – Torre em espiral – Borromini. Panteão. Piazza della Minerva – Elefante de Bernini – Santa Maria sopra Minerva. Caminhada pela via dei Pastini – Templo de Adriano. Coluna de Marco Aurélio. Fontana de Trevi.

DIA 04: VATICANO

Museus Vaticanos (maior parte do dia – comprar os ingressos com antecedência pela internet). Piso inferior: Museu Egípcio. Museu Pio-Clementino. Museu Pio-Cristão. Capela Sistina. Biblioteca do Vaticano. Bracio Nuovo. Museu Chiaramonti. Sala da Cruz Grega. Sala Redonda. Pinacoteca. Museu Gregoriano Profano. Piso superior: Salas de Rafael – Academia de Atenas. Museu Etrusco. Galeria das Tapeçarias. TARDE: Basílica de São Pedro. Scavi: subsolo da basílica de São Pedro (reservar antes). Subida até a cúpula de Michelangelo. Fim da tarde: passeio no entorno do Castelo de Santo Ângelo (se puder entrar melhor).

DIA 05: QUIRINAL – PIAZZA DI SPAGNA: DESTAQUE PARA A ARTE E ARQUITETURA BARROCA

Galeria Borghesi. Termas de Diocleciano. Basílica de Santa Maria degli Angeli (Michelangelo). Museu Nacional Romano. Santa Maria dela Vitoria – Êxtase – Bernini – Fontana di Mosé. Via alle Quattro Fontane – Palazzo. Viminale. San Carlo alle Quattro Fontane – Borromini. Piazza dei Spagna. Trinita dei Monti – Panorâmica de Roma. Piazza del Popolo. Santa Maria in Montesanto e dei Miracoli. Santa Maria del Popolo – Caravaggios. Porta del Popolo.

DIA 06: AVENTINO – TERMAS DE CARACALA – VIA APPIA – CATACUMBAS DE CALISTO (PASSEIO DE VAN)

Basílica de Santa Sabina. Parque de Santo Alessio: vista de Roma. Termas de Caracala. Via Appia. Igreja Quo Vadis. Catacumbas de Calixto. Parque dos Aquedutos.

Siena

DIA 07: SIENA

Catedral. Biblioteca Piccolomini. Museu do Domo. Batistério San Giovanni. Piazza del Campo. Palazzo Publico. Basílica de San Domenico. Tarde livre.

DIA 08: SIENA – MONTERIGGIONE – SAN GIMIGNANO – FLORENÇA

Florença

DIA 09: SANTA MARIA DEL FIORE – PIAZZA DELLA SIGNORIA – PONTE VECCHIO – PIAZZALE MICHELANGELO

Santa Maria del Fiore. Domo de Brunelleschi. Piazza della Signoria. Palazzo Vecchio: museu e torre. Corredor Vasari. Ponte Vecchio. Palazzo Piti – fachada (se tiver tempo, entrar nos jardins de Boboli). Piazzale Michelangelo: pôr-do-sol.

DIA 10: GALLERIA DEGLI UFFIZI – SAN LORENZO (CAPELA MEDICI)

Galleria degli Uffizi. San Lorenzo. Capela Medici. Palazzo Medici-Ricardi.  Santa Maria Novela. Palazzo Rucellai – fachada. Santa Croce. Capela Pazzi – Brunelleschi. Tarde Livre. Galleria dela Academia (Davi de Michelângelo) – opcional.

DIA 11: FLORENÇA – PISA – LUCCA

Veneza

DIA 11: PIAZZA DE SAN MARCO – PONTE DO RIALTO

Vaporetto passando pelo Grande Canal completo e Praça de São Marcos. Basílica de São Marcos. Ponte dos Suspiros. Piazza San Giovanni e Paolo. Estátua equestre de Verocchio. Santa Maria dei Miracoli. Ca D’Oro. Caminhada até a Ponte do Rialto.

DIA 12: DORSODURO

Basílica Santa Maria dela Salute. Collezione Peggy Guggenheim. Academia de Belas Artes. Grande Canal. Tarde livre.

DIA 13: RETORNO

Livros e E-books de Marcelo Albuquerque

Roma: para artistas, arquitetos e viajantes

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Livro impresso e E-book

Bronze etrusco

Bronze etrusco

Por Marcelo Albuquerque

O bronze era um dos materiais preferidos para a confecção de diversos objetos e figuras, sejam eles utilitários, religiosos ou decorativos. Como dominavam com maestria a arte da metalurgia, os etruscos atingiram um alto nível de sofisticação técnica e estética tornando-os conhecidos em todo o Mediterrâneo e no norte. Utilizaram técnicas como a cera perdida, cinzelamento, incisão e laminação. Foram capazes de agregar outros metais ao bronze, como ouro, cobre e prata.  O retrato de Bruto Capitolino é, ao lado da Loba Capitolina[1], sem dúvida, um dos maiores exemplos da capacidade escultórica etrusca. No Museu de Villa Giulia destacam-se os castiçais, tripés, espelhos e estatuetas.

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Busto de Brutus Capitolino. 300-275 a.C. Bronze, 69 cm. Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Loba Capitolina. Bronze. Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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SAM_2438.JPG SAM_2459.JPG Castiçais e tripé de bronze. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

SAM_2423.JPGSAM_2427.JPGCista Ficoroni, de Palestrina, com figuras dos Argonautas. Bronze. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Estas pequenas estatuetas representam deuses diversos, atletas e guerreiros, não sendo difícil encontrar na região da atual Toscana artesanatos finos que reproduzem essas belas peças.

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Estatuetas de bronze. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

[1] Existem dúvidas sobre a origem da Loba Capitolina, porém a tradição a atribui a Vulca de Veios. Rômulo e Remo foram adicionados posteriormente, durante o Renascimento.

Terracota etrusca

Por Marcelo Albuquerque

Acredita-se que a posição social das mulheres etruscas era superior às mulheres gregas e latinas. A escultura tumular, assim como a pintura em túmulos, evidencia essa posição privilegiada. O sarcófago etrusco de Cerveteri, c. 520 a.C., um dos mais belos exemplos da arte tumular, apresenta as características estilísticas arcaicas dos etruscos, assemelhando-se em muitos pontos com a escultura do período arcaico grego (650 a 480 a.C.).

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Detalhes do Sarcófago etrusco de Cerveteri, 520 a.C., Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Detalhes do Sarcófago etrusco de Cerveteri, 520 a.C., Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Vídeo relacionado:

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Sarcófago etrusco de senhora etrusca. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Vulca, o grande escultor natural de Veios, foi o único cujo nome foi registrado pela história. Trabalhou em Roma no tempo de Tarquínio, o Soberbo, o último rei de Roma. Suas obras, incluindo uma famosa imagem de Júpiter, adornavam o templo de Jupiter Optimus Maximus no monte do Capitólio. Atualmente, os alicerces do templo estão em exposição nos interiores dos Museus Capitolinos.

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Maquete da Roma Antiga, nos Museus Capitolinos, nos tempos da monarquia. À esquerda vemos o grande templo de Jupiter Optimus Maximus, no Monte Capitolino, e à direita o Monte Palatino. Abaixo do Capitolino, o Fórum Boário. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Atribuídos a Vulca, o grupo de Apolo de Veios, com Hércules e Latona, do século VI a.C., apresenta influências gregas arcaicas, porém com um movimento vivo e elegante estranho ao período arcaico grego, de natureza estática. Formavam um grupo dramático representando a disputa de Apolo com Hércules pela corça sagrada, na presença de outras divindades. A estátua de Apolo tinha a face vermelha, e se tornou tão famosa entre os romanos que desde então todos os generais, ao entrarem em triunfo na cidade, depois de alguma vitória militar, também pintavam o rosto daquela cor. Vulca foi descrito por Plínio, que disse que suas estátuas eram as mais belas de seu tempo.

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Atribuído a Vulca: Apolo move-se em direção à Hercules na disputa para a posse da corça com os chifres de ouro, sagrado para sua irmã Diana. A estátua localizava-se no cume do telhado. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Atribuído a Vulca: Latona com o pequeno Apolo nos braços fugindo da serpete Piton. Terracota policromada.  510-550 a.C. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Latona era uma titânide, filha de Febe e Céos, e mãe de Apolo e Diana, e sua iconografia a apresenta protegendo os seus filhos, por causa da serpente Píton. Foi uma das amantes de Júpiter, com quem teve os gêmeos. Era a titã do anoitecer, deusa da maternidade e protetora das crianças. Sua iconografia sugere que ela também era uma deusa da modéstia. Quando engravidou, teve que fugir da ira de Juno, mulher de Júpiter, que tinha pedido a Gaia que não cedesse lugar na terra para que ela pudesse dar à luz seus filhos. Para dar a luz às crianças na ilha de Delos, seu refúgio, ela teve que fugir da serpente Píton, que Apolo enfrentaria mais tarde.

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Centauro de Vulci. 580 a.C. Esculturas em terracota. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Jovem cavalgando um monstro marinho, parte de decoração de um templo de Vulci. Esculturas em terracota. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Quando os etruscos entram em contato com o “estilo internacional” helênico grego, as esculturas adquirem feições cosmopolitas, afastando-se do arcaísmo tradicional, visto nas figuras de Apolo e Latona, atribuídas a Vulca. Floresce a tradição de retratos heroicos e mitológicos replicados e disseminados através da circulação de modelos, ampliando os trabalhos em série, seja a partir dos moldes ou dos modelos.

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Fragmentos de terracota do período helenístico. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Busto de Apolo em terracota do período helenístico, ao estilo de Alexandre, o Grande, de Lisipo. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Entre os curiosos objetos ritualísticos em terracota, destacam-se os órgãos sexuais, como úteros, vaginas, falos e seios.

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Placas de terracota em forma de útero. A de número 45 é dedicada a Vei-Demetra. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Vaginas de terracota votivas. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Mamilo e falo de terracota votivos. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Pinturas etruscas

Pinturas etruscas

Por Marcelo Albuquerque

As pinturas parietais tumulares revelam cenas do cotidiano, cenas de amor, afeto entre os casais, ideais aristocráticos e cenas ritualísticas, muito próximas da tradição de pintura grega. Em Tarquínia, encontra-se a Tumba das Leoas, com cenas de dança e celebração do vinho. A importância da pintura etrusca está também no fato de que, além da própria história etrusca, revela elementos da pintura grega que pouco sobraram e que nos restam pouquíssimos vestígios atuais, comparados às grandes quantidades de pinturas em cerâmicas conhecidas nos dias de hoje. As obras artísticas funerárias apresentam cenas de banquetes, jogos, danças, batalhas, deuses, demônios e gênios, com influencias do cânone egípcio, porém com a presença do movimento grego.

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Tumba dos Leopardos em Tarquinia. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerveteri. Acesso em: 10 jan. 2017.

Pinturas nos túmulos sustentam a tese de que os jogos de gladiadores, ícones da Roma antiga, nasceram na Etrúria, como vistos em algumas tumbas de Tarquinia. Encontram-se também imagens de Jogos Olímpicos, algumas com traços de grande violência, como a de um cão que ataca um homem com a cabeça coberta por um saco, o que poderia relacionar a origem dos jogos gladiatórios e circos a rituais fúnebres. Portas do inferno, o barqueiro Caronte e demônios eram representos com frequência em pinturas nas tumbas de Tarquínia.

Túmulos etruscos

Túmulos etruscos

Por Marcelo Albuquerque

Os etruscos construíam suas cidades para os vivos, mas também resistentes necrópoles em tufo (pedra vulcânica) para os mortos. As áreas mais emblemáticas da arte e arquitetura tumulares etruscas estão em Cerveteri, Tarquinia, Veios, Vetulonia e Vulci. Essas cidades possuíam vários cemitérios, cada um vinculado ao seu próprio uso, configurando verdadeiras necrópoles. De forma a potencializar a conservação das tumbas, foram construídas com material não-perecível, de pedra ou esculpidas diretamente na rocha. Os túmulos destinavam-se principalmente ao costume, posterior ao período de cremações, de enterrar os corpos em urnas, cercadas por círculos de pedras, que viriam a se transformar em abóbadas sobre tambores de pedra envoltas de terra (tholos micênico e grego), adicionando-se uma entrada em dromos (médio ou longo corredor). A inumação e preservação dos corpos podia contar com uma escultura em tamanho natural, ou próximo do natural, do morto ou do casal que ali estivesse enterrado.

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Tumbas de Cerveteri. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerveteri. Acesso em: 10 jan. 2017.

Os túmulos abobadados e escavados nas rochas apresentam as mais belas obras artísticas preservadas dos etruscos. Elas evidenciam a certeza na sobrevivência da alma e a consciência de que o defunto necessitava de bens e de lembranças dos vivos. Esses princípios religiosos se assemelham às tradições egípcias, orientais e helênicas. No interior, aos mortos era garantido um ambiente familiar com os objetos possuídos na vida, ou uma réplica artística dos mesmos. Os túmulos mais suntuosos são réplicas de residências que existiam, proporcionando aos estudiosos uma rica projeção da arquitetura e interiores etruscos. Pode-se contemplar colunas, pilares, capitéis, vigas, mobiliários e instrumentos de pedra emulando a arquitetura em madeira e objetos de diversas texturas e materiais. Os cemitérios eram geralmente situados fora dos muros da cidade, ao longo das vias de acesso, outra herança legada à civilização romana. O tamanho dos túmulos e suas divisões em câmaras era proporcional à riqueza da família.

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Tuma dei Rilievi. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://fr.wikipedia.org/wiki/Cerveteri. Acesso em: 10 jan. 2017.

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Ruínas dos túmulos de Banditaccia. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://fr.wikipedia.org/wiki/Cerveteri. Acesso em: 10 jan. 2017.

Templos etruscos

Por Marcelo Albuquerque

Na Itália, nos grandes museus, não é incomum encontrar fragmentos de antigos templos etruscos. As tipologias dos templos etruscos provem da segunda metade do período arcaico, por volta do século VI a.C. Como um templo grego, seu espaço era dedicado ao culto e preservação da estatuaria e de paramentos ritualísticos. Porém, os etruscos desenvolveram o tipo de planta com três cellas, antecedido pelo grande pórtico, ou pronaus, como visto nos templos da Tríade Capitolina (Júpiter, Juno e Minerva, para os romanos; Zeus, Hera e Atena, para os gregos). As tipologias templárias etruscas, junto às gregas, formam os fundamentos dos desenhos dos futuros templos romanos. Em Roma, o grande templo etrusco nos primórdios da cidade foi o templo da Tríade Capitolina de Jupiter Optimus Maximus, no Monte Capitolino, ornamentado pelo escultor etrusco Vulca, o mais famoso de todos os escultores do período. Templos mais simples possuíam apenas uma cella, que podia ou não conter colunas na fachada frontal. Algumas plantas apresentam a alae, ou seja, cellas com função de corredores laterais. No santuário de Portonaccio, em Veios, do templo de Apolo possuia três cellas, com magníficas esculturas acroteriais, preservadas no Museu Nacional Etrusco de Villa Giulia, em Roma, incluindo a icônica escultura de Apolo de Veios.

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Reconstituição de templo etrusco em um totem informativo. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Planta provável do templo de Jupiter Optimus Maximus, no Monte Capitolino, Roma. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Temple_of_Jupiter_Optimus_Maximus. Acesso em: 10 jan. 2017.

Podium e embasamento elevados de pedra foram introduzidos pelos etruscos e não eram comuns na arquitetura grega. Sua função era elevar o templo sobre o nível do calçamento, forçando a entrada das pessoas ao mesmo pela escada da fachada frontal. Os gregos, por sua vez, adotavam a estereóbata e estilóbata como plataformas de seus templos. O alto podium era, em geral, decorado com molduras. Eles desenvolveram uma nova ordem arquitetônica, semelhante à ordem dórica grega, chamada de Ordem Toscana.

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Ordem toscana das colunatas de Bernini, no Vaticano. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Os templos, por serem de madeira, além das bases de pedra, não se salvaram como os templos de pedra ou de concreto romano. A ornamentação de telhados e beirais era produzida em terracota, como vemos nos acrotérios, baseados em máscaras de figuras religiosas-mitológicas e ornamentações vegetais, como palmetas. O Museu de Villa Giulia possui em seu acervo preciosos elementos estruturais e ornamentais de templos etruscos. Desenvolveram, para a criação de peças em série, moldes que replicavam as estátuas acroteriais e os revestimentos ornamentais dos edifícios. Entretanto, ajustes eram realizados em cada peça, retirando suas imperfeições de fabricação, dando a cada peça um carácter único.

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Acrotérios em terracota. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fragmentos do templo de Scasato. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fragmentos do templo de Sassi Caduti. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

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Fragmentos de frontão, com figuras de deuses e personagens míticos (Atena, Zeus, Polifonte, Capaneo, Tideo e Melanippo). Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

No jardim da Villa Giulia podemos observar a reconstrução em tamanho natural do templo etrusco-Itálico de Alatri. A estrutura foi construída entre 1889 e 1890, com base nos restos de um edifício sagrado, datado dos séculos III e II a.C. O templo é constituído de uma cella com pronaos na fachada frontal. Parte dos ricos fragmentos de decoração de terracota adornavam o entablamento e os beirais da empena (frontão).

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Templo Etrusco de Alatri. Museu Nacional de Villa Giulia, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Nos Museus Capitolinos, em Roma, estão fragmentos do templo etrusco de Mater Matuta, iniciado no século VII a.C., nos pés do Monte Capitolino, perto do Fórum Boário. Possuía uma estrutura tradicional etrusca, com revestimentos ornamentais em terracota, uma das mais antigas edificações encontradas em Roma. O edifício sofreu modificações, inclusive pelo rei etrusco Sérvio Túlio, no século VI a.C. Foi modificado para a construção de dois templos, de Fortuna e Mater Matuta, após a expulsão dos etruscos. Os seus achados, que incluem diversos objetos cerimoniais, imagens e utilitários, estão expostos nos Museus Capitolinos.

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Fragmentos do templo etrusco de Mater Matuta. Museus Capitolinos, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

A cidade etrusca

Por Marcelo Albuquerque

Nos primórdios, as aldeias etruscas eram compostas de cabanas de partido retangular ou ovalado. A principal fonte arqueológica sobre a arquitetura etrusca concentra-se nos adornados túmulos, como veremos mais adiante. Os gregos influenciaram sua arquitetura a partir do período orientalizante, no século VII a.C., introduzindo os telhados de terracota, relatado por Plínio na sua obra História Natural.  Eram utilizados diversos elementos de terracota, como relevos, acrotérios e pináculos modelados e pintados com motivos do repertório grego. Com o passar do tempo, artesãos especializados desenvolveram diferentes técnicas, capazes de produzir complexos moldes, reproduzindo em larga escala os ornamentos e demais peças artísticas e arquitetônicas.

As residências etruscas, como mostram as escavações de Acquarossa, até o final do século VII a.C., evidenciam tipos de uso doméstico para as classes mais altas. Em geral, a planta de uma casa possuía um pátio central, que evoluiu para a domus italica dos romanos, descrita por Vitrúvio no Tratado de Arquitetura. Sobre a domus italica, veremos com maior profundidade no texto sobre Pompeia.

Ruínas templárias de Marzabotto e planta do sítio arqueológico. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Marzabotto. Acesso em: 10 jan. 2017.

Os etruscos legaram um traçado ortogonal planejado, desde o século VI a.C., conforme visto na cidade de Marzabotto, concebida em dois eixos perpendiculares ritualmente desenhados.  O desenho centrado a partir de duas ou mais ruas principais perpendiculares, como a planta milésia ou rodiana helenística, de Hipódamo de Mileto ou Dinócrates, era aplicado na Grécia e suas colônias pelo Mediterrâneo. A cidade com traçado ortogonal, com duas ruas principais, em cruz, provavelmente inicia a tradição do cardus e decumanus romano. O costume de adotar acrópoles como centros religiosos também era comum na Etrúria. Estes princípios revelam a existência de um governo centralizado capaz de planejar o desenvolvimento dos centros com maior organização urbana. Com o tempo, praticamente todas as cidades de Etrúria foram equipadas com muros defensivos e, eventualmente, com portas em arcos monumentais, como vistas em dias atuais em Volterra e Perugia.

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Porta Augusta, Perugia. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Perugia. Acesso em: 10 jan. 2017.

As cidades e a arquitetura etrusca são fundamentalmente influenciadas pela Magna Grécia e, em menor escala, pela Assíria, Egito e Fenícia, vistas na engenharia, como aquedutos, esgotos, portos, indústria e comércio. O arco, a abóbada e a cúpula são introduzidas na península itálica, tornando-se as grandes contribuições etruscas que impulsionarão a arquitetura, engenharia e estética romana no futuro. A Porta Augusta, em Perugia, é um dos primeiros exemplos da introdução do arco em escala monumental no vocabulário das ordens clássicas. O arco de triunfo romano, por exemplo, é derivado das portas etruscas. A Cloaca Máxima, o grande esgoto que possibilitou a construção e drenagem do Fórum Romano, foi desenvolvida por engenheiros etruscos durante o domínio desses em Roma, no período da Monarquia.

Cloaca Maxima, no Fórum Boário, Roma. Foto: Marcelo Albuquerque, 2019.