Por Marcelo Albuquerque
As Artes Liberais são habilidades desenvolvidas na Antiguidade Clássica, consideradas essenciais para a pessoa livre, baseadas na aquisição de educação erudita, a fim de que esta tome parte ativa na vida cívica e pública. Elas formam a base do currículo nas universidades medievais, sendo elas:
Trivium: a gramática, a retórica, a dialética
Quadrivium: a música, a astronomia, a aritmética e a geometria.
Na Idade Média, a arte e a arquitetura se situavam nas artes mecânicas, mas gozavam de respeito e honra. No Renascimento, intelectuais, artistas e arquitetos, do porte de Alberti e Leonardo da Vinci, reivindicarão a elevação da pintura, da escultura e da arquitetura à condição de Artes Liberais, conferindo aos artistas e arquitetos um nível social jamais alcançado dentro das hierarquias antigas.

Filosofia e As Sete Artes Liberais. De Herrad de Landsberg, da obra Hortus Deliciarum. Século XII. Fonte: Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Artes_liberais. Acesso em: 25 set. 2016.
Não podemos, aqui, confundir as artes medievais com a moderna concepção de artes, relacionadas às artes plásticas ou a teatro, principalmente. Martianus Capella, no século V, e Boécio, no século VI, realizaram estudos sobre as sete Artes Liberais, conectando o pensamento clássico com o medieval, sendo elas definidas até o século X como a gramática, a retórica, a dialética (trivium), a música, a astronomia, a aritmética e a geometria (quadrivium).


Campanário de Giotto, 1298-1359. Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.

Baixos relevos do campanário com programa iconográfico: Da direita para a esquerda: a arte da navegação a remo, Hércules e Caco, a arte do cultivo, o carro de Téspis. Os relevos foram substituídos por cópias e os originais se encontram no Museu do Duomo. Os desenhos são atribuídos a partir de uma concepção de Giotto, por volta de 1337, e sua execução é atribuída a Andrea Pisano e sua equipe, entre eles seu filho Nino Pisano, Alberto Arnoldi, Gino Micheli da Castello, Maso di Banco, Mestre de Armadura e Mestre de Saturno. Intervenções posteriores são atribuídas a Luca della Robbia (1437-39). Foto: Marcelo Albuquerque, 2015.
Na Idade Média os mestres construtores, pintores e escultores se reuniam em guildas, ou seja, corporações de ofícios. Eram consideradas artes mecânicas e gozavam de respeito e direito a honra. Os mestres de ofícios tinham títulos e respeito. Muitas catedrais góticas europeias apresentam, nas suas fachadas, as profissões dos mestres construtores, arquitetos e artistas. Como recorda Reale, Hugo de São Vitor (1096-1141), professor medieval, deu espaço às artes mecânicas, que corajosamente as alinhava com as artes liberais (REALE, 2003, vol.2, p. 180). Além das artes plásticas e arquitetura, estão as artes têxteis, a fabricação de armas, o teatro, a navegação, a agricultura, a caça e as técnicas de conservação de alimentos. O estudo das artes mecânicas elevaria a condição humana. No Renascimento, intelectuais, artistas e arquitetos, do porte de Alberti e Leonardo da Vinci, reivindicarão a elevação da pintura, da escultura e da arquitetura à condição de Artes Liberais.
Ótimo conteúdo
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